Com o futebol brasileiro ensaiando um retorno em meio à crise na saúde nacional e mundial, o infectologista Renato Grinbaum - membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, falou ao jornal "Estado" a respeito dos possíveis riscos aos atletas em uma volta prematura do futebol em nosso país.

"Os problemas que esses enfrentarão, não está ligado diretamente ao futebol. Em primeiro lugar, o contato físico, o suor em si, não é tão importante, mas, inevitavelmente, num esporte coletivo, existe a proximidade das pessoas. Um jogador está marcando o outro, então existe a possibilidade de uma contaminação respiratória. Até mesmo com as mãos ele pode se infectar. Esse contato físico indireto, não pelo suor, mas pelas vias respiratórias, existe e faz com que o atleta corra o risco de ser contaminado pelo vírus", declarou Grinbaum.

Já com relação à musculação, essa não traz tanto risco de contaminação, uma vez que os treinos são individualizados, ou seja, não causam aglomeração. Além de ser mais fácil de manter os equipamentos com uma higiene mais constante. Segundo ele, o suor não transmite o vírus. No entanto ele alerta para a ocupação do vestiário, onde esses jogadores se reúnem antes e depois de cada atividade física ou técnica.

Na última partida pelo Gauchão antes da paralisação, o Grêmio entrou em campo com máscaras, assim como o Botafogo no Rio de Janeiro.
Na última partida pelo Gauchão antes da paralisação, o Grêmio entrou em campo com máscaras, assim como o Botafogo no Rio de Janeiro.

"O maior problema de contágio está na aproximação, na distância entre as pessoas e no cuidado, especialmente, com as maçanetas das portas e com as torneiras, por exemplo. Se possível, esse atleta deverá procurar manusear a torneira com um papel toalha descartável e tentar, ao máximo, evitar levar as mãos a boca ou ao nariz após tocar na torneira ou na maçaneta", completou.

Mesmo não havendo ainda uma data certa para a volta do futebol no país e mesmo a CBF declarando que só irá liberar a atividade assim que tiver um parecer dos responsáveis pela saúde, com a flexibilização dos isolamentos sociais, as chances disso vir a ocorrer nas próximas semanas não está descartada, lembrando que os clubes estão em férias até o dia 30 de abril.

No Brasil até hoje, já foram contabilizados mais de 50 mil casos confirmados de pessoas infectadas pelo novo Coronavírus, aonde mais de três mil dessas pessoas vieram a falecer.

Voltando ao futebol nacional, a primeira medida em caso de um possível retorno em breve, deveria o mesmo retornar passo a passo, ou seja, primeiramente com as sessões de treinos, em seguida, voltar a disputar as partidas regionais, ou seja, dentro dos estados, para ai em diante pensar em voltar a abrir para as competições a nível nacional. Lembrando mais uma vez que se o futebol voltar nas próximas semanas ou meses, os jogos muito provavelmente deverão ser inicialmente com portões fechados, sem a presença dos torcedores em geral.