Treinadores se reúnem na CBF para discutir limite de transferêrencias por clube

Na sede da CBF os técnicos brasileiros discutem mudanças nos regulamentos para que a classe seja respeitada.

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A entidade que defende e regulamenta os direitos dos Treinadores no Brasil – Federação Brasileira de Treinadores de Futebol – FBTF se reuniu nesta segunda-feira na sede da CBF onde discutiram medidas que visam garantir direitos de estabilidade no exercício da profissão. Além desta reivindicação, a federação também quer o reconhecimento no exterior e limite para transferência de treinadores. A intenção é que as regras discutidas sejam inclusas no “Regulamento Geral de Competições” da entidade a partir da próxima temporada.

Reunião dos Treinadores na sede da CBF.Reunião dos Treinadores na sede da CBF.

A reunião foi comandada por nomes como Zico, Falcão, Parreira, Tite, Alfredo Sampaio, Vágner Mancini, Vanderlei Luxemburgo e Zé Mário, que é o atual presidente da FBTF. A reivindicação dos treinadores é de que a partir de 2018, seja incluso no regulamento, o limite de duas transferências de comando por clube em cada série do Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil, ou seja, cada técnico só poderá exercer a função em duas equipe na mesma competição.

Treinadores reunidos na CBF para discutir novas regras para o Regulamento Geral de Competições.Treinadores reunidos na CBF para discutir novas regras para o Regulamento Geral de Competições.

Luxemburgo foi um dos principais mediadores da reunião, falou que a classe dos treinadores é desunida e que há necessidade de haver ética e respeito entre os treinadores.

“Esse tema é muito discutido, tanto da nossa parte quanto pela CBF, que tem que unir isso. Nossa classe é muito leviana nesse sentido de trocas, nós somos uma classe desunida. Se pudermos trabalhar três quatro vezes por ano em clubes diferentes, nós iremos. Temos que colocar respeito e ética nisso, temos que nos respeitar como classe. Estamos reivindicando que sejam duas transferências na categoria que estamos trabalhando, primeira e segunda divisão e daí pra frente não se possa mais trabalhar”.

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Vale ressaltar que até a 21ª Rodada do Brasileirão, 12 treinadores já foram demitidos – a equipe que mais trocou de técnico esse ano na Série A foi o Vitória, com quatro mudanças.

Mas não é só isso que foi discutido entre os treinadores brasileiros e CBF, os mesmo ainda exigem que os atuais cursos de treinadores que são ministrados pela Confederação Brasileira de Futebol, sejam reconhecidos no “exterior”. Segundo foi declarado na reunião, a partir de 2019 os treinadores terão que possuir uma “Licença A”, para poderem trabalhar em competições nacionais. O primeiro passo deverá ocorrer mesmo em 2019, quando a Conmebol pretende unificar todas as licenças de cursos promovidos nos países da América do Sul.

A reunião ganhou repercussão quando o treinador do Botafogo, Jair Ventura, criticou a falta de mercado para os brasileiros no exterior, algo em tom de reclamação com a chegada de Reinaldo Rueda para o comando do Flamengo.

A tal proposta para limites de trocas de técnicos não é nova, uma vez que ela vem sendo discutida pela CBF junto aos clubes desde as duas últimas reuniões do conselho técnico do Brasileirão Série A - na ocasião os dirigentes reprovaram tal medida. Evitando uma nova resistência dos Clubes, os treinadores foram direto na entidade nacional.

Vice-presidente da FBTF, Vágner Mancini.Vice-presidente da FBTF, Vágner Mancini.

O Vice-Presidente da FBTF, Vágner Mancini, treinador do Vitória, não quis comentar sobre possíveis resistências por parte dos clubes, mas deixou bem claro que esta é a melhor maneira para garantir estabilidade da categoria.

“Fica muito complicado nós falarmos que não estávamos no Conselho. Deve ter tido um debate sobre isso. Sinceramente, em todos os clubes pelo qual passei, jamais tive dificuldade para falar a respeito. Você tem que ser claro quando chega a um clube, pois a porta de saída é muito mais estreita que a de chegada. Sua saída de um clube é muito difícil por vários fatores - o ambiente não é bom, você vive na pressão. Por essa razão estamos querendo que a CBF regulamente isso. Que essa regra conste no regulamento e para que não haja esse tipo de situação”, completa Mancini.

Além do limite de atuação em dois clubes por série, os treinadores também solicitaram que seja replicada uma regra adotada pela Federação Paulista, que fala a respeito de permitir que um clube só registre a contratação de um novo treinador se for comprovada a quitação de todos os direitos trabalhistas e também do direito de imagem. Na ata, ainda consta o registro de contrato como uma obrigação nacional, para todo o tipo de competição, seja ela nacional ou estadual.

 

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