Torcida da Lazio é mais uma vez acusada de racismo

Lazio e Empoli entraram em campo no domingo (8) pela 17ª rodada da Série A italiana. O jogo terminou empatado em 2 x 2 mas o destaque, negativo, veio das arquibancadas do estádio Olímpico, em Roma. Mais uma vez a torcida da Biancocelesti está sendo acusada de antissemitismo e racismo.

E não se tratou de um fato isolado. Na última partida contra o Lecce, quarta-feira (4),  parte da torcida também hostilizou o camaronês Umtiti e o zâmbio Banda. Os torcedores do Lecce reagiram e apoiaram os dois jogadores. Como punição, a Curva Norte, onde tradicionalmente as torcidas organizadas da Lazio se reúnem no estádio Olímpico, foi fechada na jogo contra o Empoli.

Essa é uma história que se repete há muitos anos. Em 2017, torcedores do time espalharam panfletos em que associavam Anne Frank, menina judia morta pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, à sua rival, Roma.

Torcida da Lazio é mais uma vez acusada de racismo
Reprodução imagem antissemita de Anne Frank espalhada pela torcida da Lazio na partida contra a Roma em 2017.

O posicionamento do clube e a reação dos torcedores antifascistas

A justiça italiana têm cobrado explicações dos dirigentes da Lazio em relação a esses episódios. Como forma de reação o clube tem buscado mudar essa imagem de sua torcida e afastar-se do fascismo italiano que fez parte de sua história no passado.

Em nota publicada pela imprensa italiana em agosto de 2022, a Lazio se posiciona de maneira contundente contra o racismo e o antissemitismo.

“A Società Sportiva Lazio sempre condenou com a maior firmeza qualquer expressão de antissemitismo e racismo que agora se manifesta em quase todas as partidas e em todos os estádios da Itália. Eles não fazem parte da nossa cultura e não representam nossos fãs. Sempre provamos isso com ações, não apenas com palavras, e continuaremos a apoiá-lo fortemente.

Gostaríamos de sublinhar que os nossos membros foram abaixo da curva no final da Roma-Lazio para agradecer aos fãs pelo apoio e para se alegrar com uma vitória merecida, certamente não para legitimar quaisquer cânticos de alguns grupos, nem sequer compreendidos e certamente não compartilhado.

Comportamentos semelhantes nada têm a ver com esporte ou bom senso cívico. Perante estas manifestações de ignorância, o Lazio Sports Club estará sempre do lado oposto: o do respeito pelas pessoas, pela sua cultura, pela sua etnia, pela sua fé e pela sua dignidade”.

O posicionamento do clube tem surtido efeito. Na mesma partida em que ouviam-se as palavras antissemitas e racistas outra parte da torcida estendeu uma faixa onde se lia “Lazio não é racista – Lazio é liberdade”.

O clube completou nesse nove de janeiro 123 anos de fundação. Em mensagem à equipe e à torcida o patrono Claudio Lotito afirmou que é preciso união para superar comportamentos que não estão em acordo com os valores da instituição.

 

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J. A. J. A.

Consumidor do jornalismo esportivo desde os anos 1980 quando conheci a revista Placar e vi pela primeira vez a Copa de 86. De lá para cá acompanhei campeonatos regionais, nacionais e sul-americanos, vendo ao vivo, nas madrugadas de dezembro na Band, os dois mundiais do São Paulo F.C. e a diversidade dos jogos olímpicos. E como não falar das resenhas esportivas de domingo à noite!

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