Conheça a história de João Gurgel, ex-Portuguesa e Estoril, de Portugal

Com ampla rodagem pelo futebol português, o meia conversou conosco sobre carreira, metas, clubes e sua vivência no futebol

Por Talis Andrey de Mello
Compartilhe

Mesmo com apenas 23 anos de idade, o currículo do meia-atacante João Gurgel faz parte de uma nova tendência que está pairando sobre nosso futebol: O desejo de fazer uma carreira no futebol europeu. Entretanto, a história deste jogador ficou conhecida por outro motivo: Vestir a camisa da Portuguesa.

Com o clube em processo complicado de reformulação, o jogador foi um dos destaques da equipe paulista no primeiro semestre de 2019. Além da oportunidade de voltar ao Brasil após fazer grande parte de sua carreira no futebol português, o atleta, que nasceu em São Paulo, sempre deixou claro que vestir a camisa da Portuguesa era uma grande honra. Sabendo disso, realizamos uma entrevista EXCLUSIVA com João Gurgel, para saber sobre sua passagem pela Lusa, sobre sua carreira e seus objetivos. Confira na íntegra a entrevista:

1- Você demonstrou muita honra em vestir a camisa da Portuguesa, que tenta se reestruturar como instituição. Esse processo de renovação do clube interfere muito no campo?

Resposta: Vestir a camisa da Portuguesa foi uma honra enorme pra mim. Trabalhei e me esforcei pra representar estas cores da melhor maneira possível em campo. Eu não acredito que isso interfira diretamente em campo, pois são situações institucionais que fazíamos questão de deixar fora do vestiário. Todos sabíamos das dificuldades, mas era daí que tirávamos força pra lutar mais em cada partida. Levarei com carinho essa passagem por lá, pois foi bem especial pra mim.

2- Mesmo que Portugal tenha diversas similaridades com o Brasil, quais as principais diferenças do futebol de lá pro futebol daqui?

Resposta: Com certeza as principais diferenças que eu vi foram a intensidade de treinos e a parte tática. Portugal é uma escola de futebol muito evoluída nestes quesitos e senti muita diferença quando retornei ao Brasil. Sem contar as questões culturais que vivenciamos diariamente. O futebol é nossa principal modalidade esportiva e precisa ser tratada com mais respeito por todos nós.

3- Após passagem por Portugal você teve a sua primeira experiência como profissional no futebol brasileiro em 2018, quando foi emprestado para a Juventus-SP. Como que foi o processo de retorno para o Brasil?

Resposta: Eu tive a oportunidade de jogar em outro clube lá na Europa antes de voltar ao Brasil e jogar na Juventus. O treinador do Estoril acreditava que seria importante pra mim jogar por uma outra equipe pra pegar experiência e minutagem em campo. Fiquei feliz com a oportunidade de voltar e jogar na minha cidade. Acredito que foi uma escolha correta e com certeza me fez muito bem.

4- Sendo Paulista, como surgiu a possibilidade de jogar no futebol português? O trabalho nas categorias de base por aqui te projetou para este mercado?

Resposta: Surgiu através de um vídeo de lances meus que fiz após jogar a Copa São Paulo. Encaminhamos o material para um empresário português que conseguiu um teste pra mim. Fiz o teste e fiquei. O trabalho nas categorias de base foi fundamental pra isso, pois não é no profissional que nos tornamos atletas. A partir do momento que decidimos por esta carreira, nos tornamos oficialmente jogadores de futebol.

5- Qual foi o seu melhor e pior momento da carreira até agora?

Resposta: Acredito que no Estoril foi o meu melhor momento pela aprendizagem e futebol de alto nível. Os próprios companheiros e comissão ajudaram muito na minha evolução, principalmente o treinador, Pedro Emanuel, que é um vencedor, campeão da Champions. Foi com certeza o lugar onde mais evoluí como jogar. E o pior momento eu sempre considero que são aqueles onde as lesões nos afastam dos gramados. Tive uma durante a passagem pela Lusa, mas é um momento oportuno para fazermos uma autoavaliação e focar na recuperação para voltar ainda mais forte.

6- Um site de informações exclusivas da Lusa chegou a noticiar que você estaria em negociações com o futebol da Grécia. Procede essa informação?

Resposta: Chegou a acontecer uma conversa sim, mas estava quase se esgotando o prazo da janela, o que nos impossibilitou a continuidade das negociações. Mas fico feliz pela lembrança e oportunidade. Quem sabe em breve voltamos a conversar (risos).

mmm

*Imagens de Ronaldo Barreto.

7- Mesmo tendo apenas 23 anos, qual seu maior objetivo na carreira?

Resposta: O objetivo de todo jogador é vestir a camisa da Seleção Brasileira. É um sonho que tenho desde o início da carreira e que me mantém motivado como atleta. Precisamos acreditar e compreender que o mundo da bola gira muito rápido. Faço a minha parte com humildade e perseverança. Sou jovem e pretendo ajudar muito ainda o nosso futebol.

8- Você esteve no Estoril, de Portugal, e nas últimas semanas, houve uma declaração do técnico do Flamengo abordando que o time poderia disputar as principais ligas do mundo. Com a sua vivência no futebol europeu, acredita que os grandes clubes daqui poderiam ser competitivos lá fora?

Resposta: Tenho certeza que seríamos competitivos lá fora. Temos a qualidade que nasce conosco e somos os maiores produtores de atletas de alto nível. Precisamos de mais intensidade e disciplina tática. Mas como equipes, entendo que nossos principais clubes têm total capacidade para participar das principais ligas pelo mundo.

9- Quem é o seu maior ídolo no futebol?

Resposta: Minhas maiores referências no futebol são Ronaldinho Gaúcho, Messi e Neymar.

10- Muita gente acha que o futebol profissional é cercado de muito dinheiro, sendo um mundo de luxo. Atuando por um clube que passa por um importante momento de reformulação, qual que foi a situação mais inusitada que aconteceu até hoje na carreira e na passagem pela Portuguesa?

Resposta: Nas minhas experiências aqui e fora do país, eu via de perto pessoas que jogavam e tinham outras atividades pra viver. É um pequeno e seleto grupo de atletas que vivem o luxo que o futebol pode proporcionar. Temos grandes clubes passando por situações financeiras complicadas e isso afeta nosso mercado. Na Portuguesa não foi diferente. E são nestes momentos que a união do grupo faz toda diferença pra entendermos que somos capazes de lutar por maior respeito às instituições e a nós mesmos.
Não considero uma situação inusitada, mas o amor da torcida pela Lusa foi algo que me surpreendeu muito positivamente e que lembro com carinho.

11- Estando na Europa, é possível acompanhar o de perto o futebol daqui? Como você recebia e percebia as informações daqui que chegavam lá?

Resposta: Na Europa era mais difícil acompanhar o nosso futebol. Acompanhava mais por sites de esporte e pelas redes sociais. Assistir as partidas daqui mesmo era mais difícil. Procurava o máximo de informações na internet pra me manter atualizado.

12- Como você não está mais vinculado à Lusa por uma questão de calendário, acredita que pode jogar ainda em 2019 ou seu planejamento já é pensando em 2020?

Resposta: Tenho objetivo e estou pronto pra jogar ainda este ano. A maioria dos clubes estão com seus grupos fechados, mas muitos já estão planejando a próxima temporada. Temos algumas coisas já encaminhadas, mas meu interesse é de estar em campo o mais breve possível.

Torcedor: compartilhe
Siga nas redes
Comentários
Carregar comentários
Assista ao nosso último vídeo:
Inscreva-se no canal