Os clubes brasileiros apresentaram nesta última terça-feira um documento com a intenção de criar uma liga própria para organizar os Campeonatos Brasileiros das Séries A e B, onde estiveram presentes os presidentes de Inter, Grêmio e Juventude.

Os gaúchos citam a crise financeira e o calendário apertado como motivações para a alteração na maneira de organizar o futebol nacional.

Aqui nos referimos a Alessandro Barcellos e Romildo Bolzan - presidentes de Inter e Grêmio que detalharam as motivações dos clubes em montar o documento entregue a CBF nesta última tarde de terça-feira (15).

19 clubes da Série A assinaram o documento

Dos 20 clubes que hoje participam da elite do futebol brasileiro, apenas o Sport Recife não assinou, muito disso por conta da renúncia de seu presidente - Milton Bivar.

Veja abaixo o que disseram os presidentes de Inter e Grêmio a respeito desse documento:

"A reunião foi histórica. Foi comunicado a CBF o início de uma liga. Isso pegou a CBF neste momento de surpresa. Mas o objetivo é financeiro e organizacional. A gente precisa buscar novas receitas e precisa trabalhar melhor na organização do campeonato. Calendário e logística. Principalmente o calendário", destacou Alessandro Barcellos - presidente do Inter ao site "GE", assim como também fez Romildo Bolzan:

"Os critérios de acesso, descenso, ranking, pontuação, financiamento, isso vai ser construído a partir de agora. O viés está em uma situação de uma crise que todo mundo perdeu receita. Transformar o produto em bastante mais acreditado, que seja uma relação direta entre os clubes e que possa ter organização melhor, crédito melhor e uma situação que permita buscar melhores receitas para todos aqueles que participam do Campeonato da Liga; melhorar inclusive as receitas dos clubes da Série B", apontou o presidente gremista.

Essa movimentação dos clubes brasileiros, em especial os da Série A, surge justamente a partir do afastamento do então presidente da Confederação Brasileira de Futebol - Rogério Caboclo, onde esses visam dar mais protagonismo político aos clubes, diminuindo assim o peso dos votos das federações, que são mais decisivos e por muita das vezes impedem mudanças mais profundas.

Confira abaixo na integra o documento entregue a CBF

"Por unanimidade dos presentes, 19 Clubes da Série A do Futebol Brasileiro - em razão de diversos acontecimentos que vêm se acumulando ao longo dos anos e que revelam um distanciamento total e absoluto entre os anseios dos clubes que dão suporte ao futebol profissional brasileiro e a forma como que é gerida a CBF - reunidos nesta data, decidiram adotar postulações e resoluções na forma abaixo elencada:

  1. Requerer a imediata alteração estatutária que consagre uma maior participação dos Clubes nas decisões institucionais e na gestão da CBF, admitindo-se os clubes como filiados desta entidade;
  2. Dentre os itens desta alteração estatutária, necessariamente deve ser incluída a votação igualitária nas eleições para escolha do Presidente e Vice-Presidentes da CBF, sendo certo que Federações e Clubes das Séries A e B terão seus votos contados de forma unitária e com o mesmo peso entre si;
  3. Ainda no que se refere à alteração estatutária, inclui-se o fim dos requisitos mínimos para inscrição nas chapas concorrentes à eleição desta entidade, abolindo-se a necessidade de apoio de 8 (oito) federações e 5 (cinco) Clubes, permitindo-se o lançamento de chapas que tenham o apoio expresso de, ao menos, 13 eleitores independente de serem clubes ou federações;
  4. Comunicar a decisão da criação imediata de uma Liga de futebol no Brasil, que será fundada com a maior brevidade possível e que passará a organizar e desenvolver economicamente o Campeonato Brasileiro de Futebol. Além dos Clubes signatários, os Clubes da Série B serão convidados a integrara a Liga.

Os clubes adotarão medidas efetivas para consumar a sua associação, para, de forma organizada, exercerem a administração do futebol brasileiro e do seu calendário."