Partida entre América-MG e Oeste acaba na delegacia

Zagueiro Messias do América-MG, acusa Rodolfo, goleiro do Oeste, de ter sido ofendindo com palavras racistas.

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O jogo entre América-MG e Oeste terminou na delegacia depois que o zagueiro Messias, do clube mineiro, alegou ter sofrido injurias racistas do goleiro Rodolfo, do clube paulista. Segundo a Policia Civil, o goleiro do Oeste pagou fiança de R$ 2 mil e foi solto - o jogador irá responder processo em liberdade.

O zagueiro Messias, do América-MG, afirma que o seu companheiro de profissão o chamou de “macaco” em jogada dentro da área do Oeste no último minuto da partida. Ainda na saída do gramado, o goleiro Rodolfo disse “que também é negro e que não teria motivo algum de chamar outra pessoa de 'macaco'”.

Zagueiro Messias, do América-MG.Zagueiro Messias, do América-MG.

A fiança foi paga pelo presidente do Oeste, Ernesto Garcia, que esteve junto com o goleiro na delegacia, no bairro Floresta - região centro-sul de Belo Horizonte. Ao sair da delegacia por volta das 18 horas, Rodolfo falou com a imprensa:

“Como ele não se lembrava do que havia sido chamado, o meu depoimento foi o esclarecimento dele. Eu fui liberado. Não pedi desculpas, até porque não fiz nada, não fiz nada pra ele”, declarou o jogador.

Goleiro Rodolfo, do Oeste.Goleiro Rodolfo, do Oeste.

Messias também foi ouvido pelo delegado, mas saiu da delegacia sem dar entrevistas. Um assessor do clube apenas informou que o jogador garantiu em depoimento que foi chamado de “macaco” ao virar as costas, após uma disputa de bola.

O América-MG aproveitou as redes sociais para lamentar o caso: “Perder é ruim, mas inaceitável mesmo é o racismo. O zagueiro Messias recebeu injurias raciais e isso não pode ficar assim!”.

Além das redes sociais, o clube mineiro também se manifestou nas redes sociais:

 “O América Futebol Clube manifesta sua indignação por conta da injúria racial sofrida neste domingo pelo zagueiro Messias, durante a partida entre América e Oeste, pela Série B do Campeonato Brasileiro. O clube repudia qualquer tipo de discriminação, sobretudo no futebol, um ambiente que deve servir como espaço de diversidade e integração entre as pessoas.

Em sua história centenária, o clube sempre prezou pela igualdade e, por isso, apóia Messias em sua decisão de levar o fato adiante e tomar as medidas cabíveis. Estaremos ao lado do nosso atleta para oferecer a ele, todo suporte necessário. Entendemos que esse tipo de conduta deve ser combatida diariamente no futebol e em toda a sociedade”.

Por sua vez, o Oeste também se manifestou negando qualquer tipo de discriminação por parte de Rodolfo, declarando que Messias pode sim ter ouvido algo de forma equivocada:

“Nós, do Oeste FC, repudiamos qualquer tipo de discriminação e garantimos que nosso atleta não teve essa atitude. Rodolfo, de cor negra, é totalmente contra o racismo, além de ser um profissional exemplar no dia a dia do clube. Leandro Amaro, zagueiro do Oeste e companheiro de Rodolfo, que estava próximo aos atletas quando discutiam, garante que o goleiro não usou a palavra “macaco”, afirmando que houve sim ofensas por ambas as partes, mas não foram de cunho racial. Por isso acreditamos que não haja má fé na ação de Messias, pensamos que o zagueiro do América tenha sim, escutado algo de forma equivocada e no calor do momento, se exaltou. Rodolfo já prestou esclarecimento à polícia”, declarou o clube através de nota oficial.

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