Neymar e Cavani travam duelo de egos no PSG

O jornal “El País” trouxe nesta segunda-feira uma reportagem completa explicando a situação de Neymar e Cavani no PSG.

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O conflito entre os dois atacantes veio à tona há uma semana, quando o árbitro do jogo entre PSG e Olympique de Lyon, marcou um pênalti a favor do time de París, em partida válida pelo Campeonato Francês – na ocasião, Neymar pegou a bola das mãos de Daniel Alves para cobrar e Cavani tomou a bola do atacante brasileiro batendo a penalidade defendida pelo goleiro adversário. Neymar contrariado com a medida tomada pelo camisa 9 do PSG não escondeu sua insatisfação, que quase acabou em vias de fato dentro do vestiário após a partida.

Neymar e Cavani, briga de egos dentro do vestiário do Paris Saint-Germain.Neymar e Cavani, briga de egos dentro do vestiário do Paris Saint-Germain.

Mas isso é apenas a ponta do “iceberg”. Tudo realmente começou há um mês e meio, no escritório da UEFA, em Nyon, na Suiça, onde o órgão maior do futebol europeu ameaçou excluir o Paris Saint-Germain de todas as competições internacionais em virtude da violação do “fair play financeiro”, uma vez que o clube francês desembolsou uma quantia muito maior do que o permitido para contratar Neymar, junto ao Barcelona – 222 milhões de euros, em 03 de agosto.

Com isso, o PSG se viu obrigado pela “entidade” a colocar alguns jogadores de seu grupo a venda para assim aliviar sua situação, mas o tiro saiu pela culatra. Internamente, nomes como Di Maria, Pastore, Matuidi, Lucas, Aurier, Draxler, Ben Arfa e Thiago Silva foram colocados "à venda" pela direção devido à contratação de Neymar e o clube tinha a necessidade de vendê-los para recuperar receita e assim equilibrar as contas de acordo com o regulamento do “fair play financeiro”.

Um dos líderes do vestiário, o francês Blaise Matuidi não gostou nada do que ouviu e exigiu sua venda o mais depressa possível; com isso foi negociado com a Juventus por apenas 20 milhões de euros. Muitos dos jogadores do elenco do PSG se sentiram como “mercadorias” em troca de apenas um jogador, no caso Neymar - o vestiário ficou repartido e esses que foram colocados no “mercado” se perguntavam: “Quem ele pensa que é?”. Para piorar a situação, à frente desse grupo estava Cavani.

Em sua chegada, no dia 04 de agosto, ao lado do presidente do clube e do diretor de futebol, seus colegas logo viram o que aconteceria, pois os dirigentes o abraçavam a beira do gramado quando esse entrou em campo. Logicamente que ninguém questionou se Neymar seria um jogador de alto nível dentro da equipe, até porque ele estava chegando agora, mas suas atitudes exageradas coincidiram com o menosprezo dos dirigentes em relação aos demais jogadores do elenco. O tempo foi passando e até mesmo seus “colegas brasileiros”, no caso Marquinho e Lucas, perceberam que Neymar não poderia carregar tudo o que estava a ele sendo atribuído. Dos Brasileiros, somente Daniel Alves se manteve ao lado de Neymar - amigo pessoal.

Thiago Silve e Thiago Motta até tentaram conversar com Neymar e explicar a ele que dentro do clube, havia grandes jogadores e que ele não poderia agir desta forma, ignorando-os. Por sua vez, Cavani exigiu respeito por parte do atacante brasileiro com os veteranos. O conflito interno de “egos” estava deflagrado.

Percebendo isso tudo, o treinador Unai Emery alertou o clube de que não seria possível vencer tudo apenas com Neymar e para tanto precisava urgentemente reunir o grupo, passando a eles uma ideia de união, carinho e amparo. No final do mês passado, o dono do PSG voltou atrás de sua medida de vender os “jogadores listados” e os chamou para uma reunião, informando a eles que eles eram intransferíveis, passando uma ideia de “família”, de “união” dentro do grupo. Com essa atitude, Al-Khelaifi separou o elenco ainda mais, dividindo em os intocáveis e os prescindíveis. Entre o primeiro grupo, dois jogadores se destacam: Cavani e Marquinhos, que se tornaram líderes do referido grupo.

Com a pretensão de vencer a Champions League, o treinador do Paris Saint-Germain conta com o trabalho de seus capitães, Thiago Silva e Thiago Motta e também do lateral-direito e amigo de Neymar, Daniel Alves.

Para tentar apagar um pouco esse incêndio, na última semana o presidente do PSG enviou em seu nome um intermediário para tentar negociar com Edison Cavani as cobranças de pênaltis, deixando-as para Neymar e em troca o atacante ganharia o adicional que está em seu contrato – um milhão de euros caso ele seja o goleador da Ligue 1 da França, mesmo ele marcando gols ou não. Com essa medida, Al-Khelaifi acreditava que conseguiria apaziguar o vestiário. Infelizmente, Cavani recusou a proposta e ainda disse que o problema não era dinheiro. O uruguaio não abre mão de bater as penalidades, uma vez que está no clube há quatro anos e pela hierarquia, segundo ele, merece o direito.

Além de tentar negociar uma medida de “paz” com Cavani, o dono do PSG também enviou um emissário para conversas com o atacante brasileiro a fim de escutá-lo e pedir a ele para desistir das cobranças de pênaltis.

Neymar que no domingo passado viajou a Londres a passeio, voltou na última quarta-feira e em sua chegada ao clube questionou a resposta de Cavani, deixando um clima ainda mais tenso no vestiário do clube francês. Em reunião com o presidente, treinador, diretor esportivo e os capitães do time – sem a presença de Cavani, os mesmos tentaram de todos os jeitos aproximar os dois atacantes, sem sucesso. Assim, Neymar ficou fora da última partida pelo Campeonato Francês, contra o Montpellier – partida essa jogada no final de semana e que ficou no 0 a 0. A alegação do clube para a ausência de Neymar foi a de que o jogador estava sentindo uma lesão no pé direito.

Pelo visto essa novela ainda dará muitos capítulos. Na quarta-feira o PSG enfrente o Bayern de Munique pela Liga dos Campeões e Neymar deverá estar em campo.

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