A Academia de Letras do Uruguai que tentou defender Cavani no processo de "racismo" na Inglaterra chamou a atitude da Football Association - FA de "ignorante e de "grave injustiça" pela aplicação de três jogos como pena imposta ao atacante uruguaio do Manchester United, que teria chamado um seguidor de "negrito" nas redes sociais.

"As referências as qualidades físicas, morais ou pessoais de outras pessoas são usadas em todas as línguas do mundo para a criação de vocativos, ou seja, expressões para tratar os outros. Em alguns contextos, têm um teor negativo, e muitas vezes os mesmos termos podem ser considerados afetuosos ou amigáveis", declarou a Academia em um comunicado oficial a FA, onde essa completou:

"Na variedade do espanhol no Uruguai, por exemplo, entre casais e amigos, entre país e filhos, você pode ouvir e ler formas como "gordis, gordito, negri, negrito". Na verdade, a pessoa a quem se trata com esses vocativos não precisa ser obesa ou negra para recebê-los", finalizou a Academia de Letras do Uruguai.

Entenda o caso

Em resposta a uma mensagem de parabéns que teria recebido de um seguidor no Instagram, após a vitória por 3 a 2 sobre o Southampton, onde Cavani teria marcado dois gols, o jogador respondeu a esse da seguinte forma: "Obrigado, negrito". O atacante do Manchester United logo que percebeu que o termo poderia lhe causar problemas, apagou o post, mas já era tarde demais, mesmo esse se desculpando.

Mesmo os advogados do clube utilizando a explicação da Academia de Letras do Uruguai para o termo utilizado por Cavani ao ser referir ao torcedor e seu fã; a FA mesmo assim entendeu o termo como violação do regulamento e suspendeu o atacante nesta última quinta-feira por três jogos com uma multa de 100 mil euros - algo em torno de R$ 710 mil.

Com a suspensão, Cavai ficará de fora dos jogos contra o Aston Villa - já disputado e diante do Manchester City e Watford, pela Copa da Liga Inglesa e pela Copa da Inglaterra, respectivamente.