Pelo 3º ano consecutivo, as semifinais da Copa Libertadores da América serão decididas por argentinos e brasileiros. E, por mais que pareça algo rotineiro, tendo em vista que são os dois países mais fortes em termos de futebol e supremacia histórica da maior competição do continente, isso é mais forte do que parece.

Desde 2018, quando River Plate, Palmeiras, Boca Juniors e Grêmio chegaram entre os quatro melhores do torneio, brasileiros e argentinos são os maiores protagonistas. Tal situação aconteceu pela primeira vez no ano de 2018, e esta sequência nunca houve na história da competição.

Supremacia financeira faz cada vez mais diferença

Desde o início do século, a questão financeira começou a ser preponderante para o sucesso fora das competições nacionais. Como Brasil e Argentina são os países mais desenvolvidos atualmente no contexto geral do esporte, essa distância entre os dois "soberanos" do continente e os demais clubes vem aumentando consideravelmente.

Para se ter ideia da diferença, veja o valor de mercado dos principais países participantes da Libertadores (a partir da fase de grupos, somando os times de cada país):

  1. Brasil: 529 milhões de euros (cerca de R$3,3 bilhões) - Grêmio, Flamengo, Internacional, São Paulo, Palmeiras, Athletico e Santos
  2. Argentina: 249,68 milhões de euros (cerca de R$1,5 bilhão) - Racing, Boca Juniors, River Plate, Defensa y Justícia e Tigre
  3. Paraguai: 66,65 milhões de euros (cerca de R$415,8 milhões) - Guarani, Olimpia e Libertad
  4. Equador: 60,2 milhões de euros (cerca de R$375,6 milhões) - LDU, Independiente del Valle, Barcelona e Delfín
  5. Colômbia: 49,24 milhões de euros (cerca de R$307,2 milhões) - Independiente Medellín, América de Cali e Júnior de Barranquilla
  6. Uruguai: 29 milhões de euros (cerca de R$180,9 milhões) - Nacional e Peñarol

Falando de forma mais precisa, a diferença de valor de mercado entre a Argentina e o Paraguai, 3º país com mais valor, é de cerca de 180 milhões de euros. Tal diferença é quase decisiva nos momentos mais importantes das competições, onde a qualidade técnica é protagonista.

Fora dos dois principais centros, os times que chegaram mais longe foram o Libertad, do Paraguai, e o Nacional, do Uruguai, que pararam nas quartas de finais, diante de Palmeiras (Brasil), e River Plate (Argentina), respectivamente.

Sendo assim, basta aos figurantes e menos ricos encontrarem maneiras de fazer bonito no continente. Caso isso não aconteça, os mais poderosos e mais ricos seguirão dando as cartas no futebol sul-americano, e logo, em sua principal competição.