O Grêmio de 2020 pode ser definido em apenas uma palavra: imprevisível. De fato, o torcedor ainda não tem confiança na maneira de jogar da equipe, e muito menos dos resultados que este grupo pode oferecer. E, mesmo que pareça algo preocupante para quem acompanha de fora, este é um processo normal depois de anos de glória absoluta.

Primeiro porque, a mudança de identidade não só do time, mas como clube também. Esta situação se reflete na composição do elenco principalmente: Dos 35 jogadores do atual plantel, apenas 5 estavam na conquista da Copa Libertadores de 2017 (Paulo Victor, Cortez, Geromel, Kannemann e Maicon). Este fator mostra que, de fato, as peças são muito diferentes, e isso tem consequência na maneira de jogar da equipe.

Mudança no estilo de jogo e queda na produção ofensiva

Segundamente, o estilo de jogo mudou. Com jogadores diferentes, logo, a maneira da equipe atuar muda, e os resultados oscilam. A equipe que tinha altíssima produção ofensiva, e que construía grandes resultados de forma sequencial, já não consegue produzir o mesmo, e tanto que, dos 42 jogos oficiais do time na temporada, em apenas 4 o Grêmio fez 3 gols ou mais, e em 3 partidas, o tricolor marcou 4 gols em um mesmo jogo.

Diego Souza é o artilheiro do Grêmio em 2020, com 14 gols marcados. (Foto:Lucas Uebel/Grêmio FBPA)
Diego Souza é o artilheiro do Grêmio em 2020, com 14 gols marcados. (Foto:Lucas Uebel/Grêmio FBPA)

Outro ponto importante é a média de idade do time. Considerando os atletas que entram em campo, o Grêmio é o 4º time mais velho do Campeonato Brasileiro, com média de 27,4 anos de idade. A experiência dos jogadores é positiva pelo aspecto de suportar grande carga de pressão, mas faz com que a equipe perca intensidade de jogo.

Mas não são apenas notícias ruins. Se o ataque parou, a defesa evoluiu um pouco. Em 2019, o Grêmio sofreu 39 gols nos 38 jogos do Campeonato Brasileiro, enquanto que em 2020, o time levou 16 gols em 19 jogos. Se manter a média, o desempenho defensivo será melhor do que na temporada anterior.

Investimentos no exterior reforçam carências

Um ponto importante é que o Grêmio nunca gastou tanto em contratações como em 2020, desde que Renato Portaluppi chegou. Nesta temporada, caso confirme a contratação do meia Gastón Ramirez, o clube irá investir aproximadamente 8 milhões de euros (R$48 milhões na cotação atual).

Diego Churín foi um dos principais investimentos do Grêmio em 2020. (Foto:Lucas Uebel/Grêmio FBPA)
Diego Churín foi um dos principais investimentos do Grêmio em 2020. (Foto:Lucas Uebel/Grêmio FBPA)

Investimentos no exterior e o alto número de contratações faz com que as carências do atual elenco fiquem ainda mais expostas. As categorias de base, que eram a fórmula para a resolução dos problemas, agora é tida como coadjuvante, mesmo que seu aproveitamento em quantidade de jogadores seja maior.

Mesmo assim, a qualidade do atual elenco e a manutenção do treinador podem ser pontos positivos a recuperarem a qualidade e os resutados de um time que foi muito vencedor, mas que atualmente, vem sofrendo para encontrar sua identidade. Para isso, é necessário primeiro definir como atuar e ter uma ideia jogo fixa.

Sequência de mudanças no esquema de jogo

Tal situação é vista na sequencial mudança de esquemas táticos do time: Primeiramente, o tradicional 4-2-3-1 foi utilizado. Com a lesão de Jean Pyerre, o esquema mudou para o 4-3-3, utilizando 3 volantes (Maicon, Matheus Henrique e Lucas Silva) no meio-campo. Por fim, a nova ideia é o 4-4-2, com Alisson ou um jogador do banco de reservas atuando no meio-campo, com Pepê e Diego Souza próximos no setor ofensivo. Por fim, foi cogitado trocar mais uma vez para jogar no esquema 3-5-2, com Orejuela e Diogo Barbosa como alas.

Atualmente, o Grêmio é um time com muitas ideias de jogo, mas que juntas, não conseguem ter como resultado final uma estratégia para chegar ao gol adversário. A bola não entra por acaso, e por mais que você tenha as melhores peças, as mesmas só irão conseguir desempenhar de maneira perfeita se a engrenagem funcionar em sincronia.