A saída do Barcelona depois de muitas críticas e desconfianças colocou Arthur em outra prateleira no cenário do futebol europeu. O brasileiro, que foi contratado com a esperança de ser um dos melhores de sua geração, hoje precisa superar mais questionamentos e críticas do agora técnico da Juventus, Pirlo, que jogou na mesma posição.

Entretanto, a situação de Arthur no futebol europeu já não é mais novidade. Com certa frequência, jovens promessas brasileiras, compradas por cifras astronômicas para a realidade sul-americana, não rendem o esperado, e com isso, rumam a centros alternativos ou até mesmo um retorno ao futebol brasileiro. Por quais motivos isso acontece? O que leva este fenômeno a se tornar recorrente com nossas joias?

Pouca idade e experiência no futebol profissional

A inflação no mercado do futebol gera cada vez mais ansiedade de quem está no topo da "cadeia alimentar" das contratações. O continente europeu, para evitar investimentos por cifras absurdas, prefere comprar jogadores com pouquíssima idade, para poder desenvolver o jogador da melhor maneira possível.

Jogadores como Rodrygo, Reinier e Vinicius Jr., que atuaram por pouco tempo no futebol profissional no futebol brasileiro, já eram observados por seus compradores desde os 15 anos de idade. Logo, a pouca idade e a mínima vivência entre os profissionais pode dificultar o processo de adaptação.

Vinicius Jr e Rodrygo foram comprados pelo Real Madri, ambos tendo 16 anos de idade. (Foto:Divulgação/ Pierre-Philippe Marcou/AFP)
Vinicius Jr e Rodrygo foram comprados pelo Real Madrid, ambos tendo 16 anos de idade. (Foto:Divulgação/ Pierre-Philippe Marcou/AFP)

Diferença de nível de futebol "ilude" compradores

De fato, o melhor nível do futebol mundial está no continente europeu. E, em algumas situações, o jogador simplesmente não corresponde as expectativas por um fator: Diferença no nível de enfrentamento.

Por ter melhor situação econômica e contar com os melhores do mundo em um único centro, o nível de enfrentamento no continente sul-americano, assim como no asiático, por exemplo, é bem mais baixo. Logo, os grandes destaques nas categorias de base ou no futebol profissional em centros alternativos faz com que, ao enfrentar os melhores do mundo, ou em um futebol bem mais competitivo, seu real nível de desempenho individual e coletivo possa ser mostrado com mais clareza.

Sendo assim, os grandes investimentos feitos em promessas acaba sendo perdido, pois o fracasso nos primeiros anos gera forte desvalorização do jogador no mercado, e mais uma chance em times de ponta é praticamente nula.

Fracasso na Europa gera sucesso absoluto em outros países

Algumas temporadas de aprendizado no futebol europeu geram absoluto sucesso no futebol sul-americano. Por isso, os principais clubes do país sempre buscam atletas com baixo rendimento no cenário europeu.

No atual Flamengo, por exemplo, 5 atletas foram contratados após passagem discreta pelo futebol europeu (Gerson, Pedro Rocha, Pedro, Gabriel e Bruno Henrique). Sem nenhum protagonismo no melhor nível, a volta ao país de origem, com nível menor de enfrentamento, gera forte destaque, e uma quase certeza de sucesso e protagonismo.

O valor total de venda dos jogadores citados acima é de 75 milhões de euros (cerca de R$493 milhões na cotação atual). Entretanto, o valor que o Flamengo precisou desembolsar para contar com estes 5 atletas foi de R$150 milhões, ou seja, apenas cerca de 32% do valor que estes mesmos jogadores custaram aos clubes europeus. A desvalorização de mais de 60% entre os processos de chegada e saída da Europa mostram o peso do fracasso entre os melhores.

Flamengo construiu sucesso com renegados na Europa.
Flamengo construiu sucesso com "renegados" na Europa.

Atualmente, os brasileiros que buscam afirmação na Europa são integrantes da seleção brasileira principal, como Bruno Guimarães, Vinicius Jr, Arthur, Rodrygo. Outros, ainda tentam mostrar seu real potencial, como Gabriel Martinelli, do Arsenal. Certo é que, jovens promessas brasileiras podem ter suas carreiras encerradas na Europa pela "sede" excessiva dos maiores compradores do futebol mundial.