São Paulo ou Rio de Janeiro? Qual será o destino da F-1 no Brasil

"Brasil é um país muito importante para a Fórmula 1, muitas corridas histórias e heróis saíram do Brasil. Discussões serão privadas, então não podemos falar sobre o que está sendo acordado", declarou o CEO da Fórmula 1.

Por Müller
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Não há definição sobre o futuro da Fórmula 1 com o Grande Prêmio de São Paulo, em Interlagos. Com contrato válido até 2020 e ameaçado pelo Rio de Janeiro, que tem projeto para construir um autódromo em Deodoro, São Paulo recebeu um Grande Prêmio marcante neste último final de semana. Além da disputa na pista, marcada pela colisão dos dois carros da Ferrari e pela vitória de Max Verstappen, a corrida marcou um recorde de público. Durante todo o fim de semana, Interlagos recebeu 158.213 torcedores, maior público desde 2001, quando o local comportava mais pessoas e contou com a presença de 174 mil fãs de Fórmula 1 nos três dias (sexta-feira, sábado e domingo).

Os organizadores do "GP do Rio de Janeiro" estão oferecendo cerca de R$ 62 milhões a mais que São Paulo, no entanto, a continuidade de Interlagos como sede brasileira da F1 se encontra sob xeque. Segundo as últimas informações do site "UOL Esporte", a Liberty Media, empresa responsável por gerenciar a categoria, possui em mãos uma proposta cerca de R$ 62 milhões superior da cidade carioca, ainda em busca de viabilizar a construção do circuito. O Rio de Janeiro ofereceu mais de US$ 35 milhões [R$ 146 mi] como uma "taxa anual" para organizar a etapa brasileira de F1. São Paulo, que já tem uma proposta na mesa e vai se reunir com a Liberty em dezembro tem números na casa dos US$ 20 milhões [R$ 84 mi] para manter a categoria até 2030.

Interlagos - São Paulo.
Interlagos - São Paulo.

Chase Carey - CEO da Liberty Media, sentou-se ao lado do governador João Doria, durante entrevista concedida pelos dois horas antes do Grande Prêmio do Brasil, neste último domingo. A ideia do "chefão da F1" é ter tudo resolvido até agosto, quando será divulgado o calendário de 2021. Porém, Rio de Janeiro e São Paulo desejam finalizar a negociação muito antes por duas questões: direitos de transmissão e venda de ingressos. Para a corrida em Interlagos, os fãs começam a comprar os bilhetes em março. Já sobre a questão da TV, o contrato com a Globo acaba em 2020, e Liberty Media tem encontrado dificuldades nas negociações com a emissora carioca.

O chefão da Fórmula 1 citou São Paulo apenas uma vez durante a conversa com os jornalistas e ressaltou que o fundamental é manter a Fórmula 1 no Brasil. São 48 anos de GP, sendo 38 na capital paulista. O CEO da Liberty também confirmou o Rio de Janeiro como um dos "candidatos" a receber a categoria.

"Brasil é um país muito importante para a Fórmula 1, muitas corridas histórias e heróis saíram do Brasil. Discussões serão privadas, então não podemos falar sobre o que está sendo acordado. O certo é discutir privadamente e vamos acertar para seguir com a corrida no Brasil por um longo tempo. Queremos continuar após 2021", disse. Enquanto aguarda o encontro decisivo com a F1, João Doria exibiu confiança ao lado do dirigente da Fórmula 1. O governador, líder do projeto da manutenção da categoria em São Paulo ao lado da prefeitura, apelou até para a mitologia de Interlagos: "Senna lá de cima diz: São Paulo".

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