Não deu para o técnico Adilson Batista. O treinador em questão que já havia sido "demitido" no meio da última semana e teve a mesma revogada horas depois, não suportou a mais uma derrota do Cruzeiro - neste último final de semana. Mas não pense você que ele saiu calado após mais uma passagem pelo clube mineiro.

Depois do Cruzeiro ser derrotado pelo Coimbra - pelo Campeonato Mineiro, onde a equipe comandanta por Adilson nas últimas oito partidas não havia vencido nenhuma, o comandante técnico deixou o time da "Raposa" fora da zona de classificação para as semifinais do Mineirão - a apenas duas rodadas para o fim; isso sem falar na situação complicadíssima na Copa do Brasil, onde foi derrotado pelo CRB pelo placar de 2 a 0, em pleno Mineirão - no primeiro confronto entre as duas equipes.

Adilson Batista - ex-treinador do Cruzeiro.
Adilson Batista - ex-treinador do Cruzeiro.

Mas conforme declaramos acima, o treinador em sua "coletiva" ainda nas dependências do Independência, fez um desabafo e soltou o verbo, não poupando a atual administração do Cruzeiro.

"Fui demitido pelo Carlos Ferreira - atual gestor do futebol do Cruzeiro. Estarei na torcida, deixo claro que estou chateado pelos resultados recentes, que também tenho culpa. Mas a gente precisa entender o processo. Tive a coragem de pedir para que determinados jogadores saíssem. Ajudei no processo, com o clube numa bagunça, uma desordem. Atletas tomaram conta do clube, derrubaram o Mano, Abel Braga e Rogério Ceni. Então, você chega e tem que limpar. Dei treino durante alguns dias, com jogadores que não teria, até resolver esta situação, porque não tínhamos comando. Rezo para que o clube tenha logo um presidente. Tá precisando urgentemente. Hoje o Cruzeiro tem oito gestores e esses oito querem tomar conta do clube", declarou Adilson Batista.

Mas não foi somente isso que o agora ex-treinador do Cruzeiro falou em sua última coletiva na "Raposa"; falou bem mais.

"Aí você tem 60 dias de trabalho, treina com 15 que não eram para treinar. Chegam 11 dos juniores sem as devidas condições e que tem que participar. Aí era para estar aqui o Jean, chegou ontem, o Ariel era para já estar, Ramon treinou comigo e não estava no início. Torcedores não gostam de A, B ou C. Demoram em chegar outros. Hoje conto que pedi um meia, um extremo, um outro extremo. Um lateral, Mais um lateral. Alguns deviam cuidar do marketing, que era para fazer uma campanha para 300 mil e hoje estamos com 45 mil. Então, este marketing está mal, precisa melhorar. Para quem irá chegar, isso vai aparecer. Vai encorpar e melhorar. Estarei na torcida. Mas faz parte do futebol. Fico triste, mas peguei todas essas dificuldades que vocês viram no início da montagem. 80% do time foi remontado, com juniores", criticou o profissional.

Para finalizar, Adilson Batista explicou porque o Cruzeiro precisa urgentemente de um presidente:

"Quando digo presidente, entendo as dificuldades do nível de assumir e enfrentar. Entendo e valorizo, mas todo mundo quer opinar dentro do departamento de futebol. Você não repete escalações; têm jogo que você usa sete, seis, cinco meninos. Tem pessoa que não entende. Eu gostaria, mas aqueles que não têm discernimento acabam prejudicando um todo", finalizou ele, que ainda deu partes de sua demissão a imprensa.

Adilson Batista que chegou para tentar livrar o Cruzeiro do rebaixamento no Brasileirão do último ano, comandou a equipe em apenas três partidas - sendo derrotado pelo Vasco, Grêmio e Palmeiras. Já na temporada atual, foram 12 partidas de Adilson Batista a frente do Cruzeiro. Nove pelo Campeonato Mineiro e mais três pela Copa do Brasil. Ao todo conquistou quatro vitórias, quatro empates e quatro derrotas.

Por fim, Adilson Batista se despede do Cruzeiro nesta sua segunda passagem pelo clube como treinador - sim, sua segunda passagem; a primeira ocorreu entre os anos de 2007 a 2010, aonde chegou a ser vice-campeão da Libertadores em 2009 e bicampeão Mineiro nos anos de 2008 e 2009.