O presidente do Cruzeiro - Wagner Pires de Sá e seus vices - Hermínio Lemos e Ronaldo Granata correm contra o tempo para apresentar um plano para salvar o clube. Pressionados pela torcida e por integrantes do Conselho Deliberativo - com cujo presidente em exercício - José Dalai Rocha irão se reunir nesta segunda, os dirigentes ainda não conseguiram dar a resposta esperada, embora garantam que irão tirar a Raposa da crise que culminou com a queda para a Série B do Campeonato Brasileiro.

Dalai deve sugerir a saída imediata de todo Conselho e da diretoria. Se não houver acordo, uma reunião deve ser convocada no Conselho para tentar afastar a diretoria. Essa disputa política também pode parar na Justiça.

Tendo como principal preocupação, o pagamento dos salários dos jogadores - que não recebem há dois meses poderão solicitar na Justiça o desligamento do clube, caso não venham a receber pelo terceiro mês, podendo acertar com outro clube sem ressarcimento para a "Raposa".

Com isso, o Cruzeiro corre o risco de começar 2020 sem time para disputar as competições que terá pela frente: Campeonato Mineiro, Copa do Brasil e a Segunda Divisão Nacional. Até mesmo os atletas das equipes inferiores poderiam pedir a rescisão do vínculo, inviabilizando completamente a recuperação celeste.

Se não bastasse isso, há problemas em outros setores. Funcionários, inclusive os de menor salário, estão sem receber vencimentos, férias e 13º salário, além de não terem suas parcelas do FGTS depositadas.

Para completar, fornecedores também estão sem receber e já não estão mais dispostos a seguir trabalhando com o clube diante da falta de perspectiva de solução para a crise administrativa-financeira. A piscina da sede campestre, por exemplo, foi interditada na semana passada por falta de limpeza, prejudicando os frequentadores.


Wagner Pires de Sá na última semana chegou a declarar não saber como solucionar os problemas. "Durmo e acordo pensando onde vamos arrumar dinheiro, não está fácil", porém, após ver que falou o que não devia, o mandatário cruzeirense tentou dar alguma esperança aos cruzeirenses: "Temos alguma perspectiva, uma perspectiva boa. Acredito que vamos sair deste imbróglio".

Mediante a essa situação, a oposição e os torcedores parecem não estarem dispostos há darem mais tempo a atual administração do clube. Afinal, foram os dirigentes que fizeram a dívida do clube saltar de cerca de R$ 400 milhões em janeiro de 2018 - quando assumiram, para aproximadamente R$ 700 milhões agora; praticamente inviabilizando o clube financeiramente.

Houve até uma tentativa de buscar no mercado financeiro R$ 300 milhões para tentar diminuir o custo da dívida. Porém, diante de denúncias de irregularidades, como falsificação de documentos e falsidade ideológica, a instituição que aceitaria emprestar o dinheiro recuou.

Apesar da possibilidade cada vez maior de não encerrar o seu mandato, Wagner Pires de Sá se mostra otimista, onde segundo ele, a diretoria não está parada e trabalha para conseguir "devolver o Cruzeiro para o lugar de onde dele nunca deveria ter saído".

"Estamos procurando planos e projetos para que possamos nos manter com rendas recorrentes fora do futebol. Temos diversos projetos, já vamos começar a programar alguns e lançaremos outro logo no princípio de 2020, como nosso plano de saúde, atendendo sócio-torcedores e funcionários. Será aberto para o público em geral. Teremos nossa própria plataforma de telefonia; nosso projeto energético, na qual os nossos associados terão desconto de 15% nas contas de energia elétrica. Temos o 'Projeto Gol', que substitui o 'Projeto Uber'. Temos o Digi+, um banco em que faltou um pouco de liga entre ele e o Cruzeiro, e programaremos. Quanto o maior o número de participantes, maior será nosso retorno. Tudo isso iremos continuar agora, e acredito que as receitas advindas desses projetos manterão o time sem a necessidade de recursos extras", argumenta o presidente celeste.

No entanto, a situação política atual do clube pode atrapalhar os planos da diretoria. Os torcedores estão cada vez mais revoltados com a falta de estratégia clara para que o Cruzeiro não só volte à Primeira Divisão, mas que recupere a estabilidade financeira.

Neste último domingo, em carta assinada pela "Torcida do Cruzeiro Esporte Clube" e endereçada a José Dalai Rocha, foi solicitado à convocação imediata de reunião do Conselho Deliberativo para votar o afastamento da diretoria e, consequentemente, a convocação de novas eleições. "Sem renúncia, afastamento. Sem afastamento, não haverá paz! Se esta diretoria nos colocou neste purgatório, nós seremos o inferno dela", escreveram