Os bastidores do Cruzeiro seguem extremamente agitados após as denúncias sobre diversas irregularidades nas finanças e nas negociações do clube. Na manhã desta terça-feira, os conselheiros Valter Batista e Daniel Faria entregaram ao Conselho Deliberativo o pedido de renúncia aos cargos que possuíam no Conselho Fiscal.

Em contato com os meios de imprensa, o vice-presidente do Conselho Deliberativo do clube, José Dalai Rocha, declarou que o pedido de renúncia dos membros restantes foi motivado pelo cenário atual do momento político do clube. A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou inquérito para apurar denúncias sobre falsificação de documento particular, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro por parte da diretoria cruzeirense.

 

O MOTIVO DAS RENÚNCIAS

O monitoramento das ações da diretoria, no caso de um clube de futebol, compete aos Conselhos Fiscal e Deliberativo. No caso do Cruzeiro, ambas as esferas tiveram a sua capacidade de fiscalização comprometida por atitudes tomadas pela presidência de Wagner Pires de Sá.

O Conselho Fiscal cruzeirense era composto, até o início deste mês de maio, por três membros: Celso Luiz Chimbida, Geraldo Luiz Brinat e Ubirajara Pires Glória. Todos eles renunciaram de uma só vez no dia 8 de maio. A principal motivação foi a falta de acesso a documentos.

Sendo assim, os 3 conselheiros fiscais do clube receberam uma instrução Normativa, que foi redigida por um escritório de advocacia, no qual foram estabelecidas pela diretoria para que o Conselho Fiscal tivesse acesso aos documentos. Nesta, o artigo quinto diz que a diretoria poderá rejeitar solicitações por documentos físicos caso entenda que não há justo motivo.

Em fevereiro deste ano, esses conselheiros foram convocados pela diretoria a autorizar a tomada de um empréstimo de R$ 300 milhões com um fundo estrangeiro. Apenas dois conselheiros votaram de maneira contrária à operação.