A CONMEBOL está elitizando uma paixão nacional, e é motivo de protestos involuntários na Copa América

A elitização do esporte mais famoso do Brasil através dos altos preços dos ingressos faz com que mais uma vez, a CONMEBOL seja motivo de piada e de revolta por parte da grande massa.

Por Talis Andrey de Mello
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Após o fim da primeira rodada da Copa América, o grande destaque ficou pelo lado negativo do evento: o baixo público presente nos estádios. Alto valor pelos ingressos, baixa média de renda da população, crise econômica e falta de interesse do público foram alguns dos principais fatores para a vergonha que foi a abertura da competição em solo brasileiro. 

A primeira surpresa já aconteceu na estreia do torneio, na partida entre Brasil e Bolívia, que aconteceu no estádio do Morumbi. Após uma previsão dos organizadores do evento de um público de cerca de 65 mil pessoas, pouco mais de 47 mil foram prestigiar o primeiro jogo da Copa América, o que causou certo espanto. 

No Morumbi, a média do ingresso pago foi de R$ 485. A Conmebol projeta uma renda de aproximadamente R$ 156 milhões de bilheteria durante o torneio inteiro. Já conseguiu mais de R$ 22 milhões só com o jogo do Brasil. Infelizmente, a entidade provou (mais uma vez) que se preocupa mais com o dinheiro do que com o espetáculo das arquibancadas.

 

Espaços vazios nos estádios da Copa América estão chamando a atenção. (Foto:PressForm)
Espaços vazios nos estádios da Copa América estão chamando a atenção. (Foto:PressForm)

 

Não culpe o sul-americano que não quer pagar mais de R$ 300 em um ingresso para ver uma partida de futebol. Culpe a vossa ganância e a falta de sensibilidade. Traga pessoas de projetos sociais e escolas municipais para ocupar os lugares vazios. Quem sabe, desta maneira, o futebol volta a ser orgulho nacional e deixe de ser apenas circo nesta política romana; quem batalha pelo pão não tem tempo para outra coisa.

Em valores já divulgados, o ingresso mais barato para a Copa América custa cerca de R$120, sendo que o salário mínimo existente no Brasil é de R$998, o que proporcionalmente, equivale à 12% da renda mensal da maioria dos brasileiros, que precisam (sobre)viver e tem o desejo de suprir a sua paixão nacional, mas é impossível.

O cenário atual da América do Sul não permite valores tão abusivos em entradas para eventos esportivos, e enquanto as entidades responsáveis por isso não entenderem que é necessário uma nova popularização do esporte até que o aspecto econômico do continente esteja melhor, empilharemos vexames e recordes negativos na organização de grandes eventos, como a Copa América.

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