O futebol está se tornando um esporte para ricos?

Será que uma frase dita há cerca de dez dias pelo ex-presidente do Atlético Mineiro, Alexandre Kalil, tem fundamento?

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O ex-presidente do Atlético Mineiro, Alexandre Kalil, vetou em março um projeto de lei que determinava que 30% dos ingressos de qualquer evento esportivo fossem vendidos a preços populares. A decisão voltou a ser polêmica nesta semana após, em entrevista ao jornal "El País", onde o ex-presidente do Atlético-MG ter afirmado que "futebol não é coisa para pobre".

Para o especialista em marketing esportivo, Erich Beting, o futebol deveria ser um divertimento para todos, uma vez que os estádios seriam o lugar pago mais democrático que existia no país, mas segundo ele, isso acabou em virtude das novas arenas, mesmo que essas apresentem grandes espaços vazios.

De acordo com os números, a taxa média de ocupação das arenas ou estádios em partidas pela Copa do Brasil e pelo Campeonato Brasileiro, é de apénas 40%. Times grandes como Cruzeiros, Flamengo e Fluminense, entraram em campo nesta temporada com público abaixo dos 10 mil espectadores. Torcedores e fãs do futebol apontam como o grande vilão da falta de torcedores nos estádios e arenas, a tal “crise econômica”.

Para se ter uma ideia, um dos times que mais torcida tem pelo Brasil, se não a maior, uma vez que briga com o Corinthians para tal; o Flamengo, teve na quarta rodada pelo Brasileirão no clássico contra o Botafogo, apenas 8.877 pagantes. Já o Fluminense, no estádio Giulite Coutinho, na última quinta-feira, pela 15ª rodada da Série A contra o Cruzeiro, teve apenas 4.757 torcedores; por sua vez o Cruzeiro em sua estreia pelo Brasileiro diante do São Paulo, no Mineirão, colocou míseros 6.528 pagantes.

Para Lásaro Cunha, diretor jurídico do Atlético Mineiro, as novas arenas foram construídas para uma espécie de selecionamento de público, onde destaca. “As novas arenas foram planejadas de forma a barrar o povo, as pessoas mais humildes e com baixa renda; isso está muito claro, mas não é somente isso. Como as novas arenas foram construídas para receber um público com maior poder aquisitivo, o custo de operação aumentou, o que está deixando todo o conjunto inviável”.

Lásaro ainda destaca que na época do lançamento do programa de responsabilidade fiscal do futebol brasileiro – Profut, foi apresentada a proposta de ingressos sociais em troca do abatimento de parte das dívidas; proposta não aceita.

Atualmente os preços médios de ingressos no Brasileirão da Série A são bem parecidos, variam em torno de R$ 25 a R$ 35, isso para aqueles que não são sócios, que conseguem descontos.

Assim sendo, a frase dita pelo ex-presidente do Atlético Mineiro: “O futebol não é coisa para pobre”, está cada dia mais correta, uma vez que o salário mínimo não acompanha a alta dos produtos e consequentemente a elevação dos preços dos ingressos em partidas de futebol.

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