Botafogo não teme exclusão da Copa do Brasil no caso de racismo

O flagrante de injuria racial feito na última quarta-feira no Engenhão pela semifinal da Copa do Brasil será levado ao STJD.

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Um grave ato de racismo praticado por um torcedor do Botafogo foi registrado ontem durante a partida de ida das semi-finais da Copa do Brasil contra o Flamengo. O ato tinha como alvo membros da família do atacante Vinícius Jr., do Flamengo. Mesmo com tudo registrado através de um vídeo, a diretoria clube não teme ser excluído da Copa do Brasil, assim como aconteceu com o Grêmio em 2014. Para o vice-presidente jurídico do Botafogo, Domingos Fleury, a situação deplorável não foi registrada em súmula:

“Não existe nenhum receio de sermos eliminados, porque se trata de uma atitude isolada que sequer constou na sumula da arbitragem – não representando atitude da torcida do Botafogo”, afirmou ele.

Flagrante do ato de racismo no jogo entre Botafogo x Flamengo - Copa do BrasilFlamengo - Copa do Brasil" src="https://www.minhatorcida.com.br/imagens/post/210/botafogo_-_racismo.jpg" alt="Flagrante do ato de racismo no jogo entre Botafogo x Flamengo - Copa do Brasil" />Flagrante do ato de racismo no jogo entre Botafogo x Flamengo - Copa do Brasil

O flagrante de ontem a noite lembrou o caso do Grêmio em relação ao goleiro Aranha, na época jogador do Santos, que levou a perda de três pontos e consequentemente eliminação do Tricolor Gaúcho da Copa do Brasil, em 2014. Igualmente ao caso, neste cabe a inclusão do Botafogo, time do torcedor acusado do crime, no artigo 243-G, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva que prevê o seguinte:

“Art. 243-G. Praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência:

PENA: Suspensão de cinco a dez partidas, se praticada por atleta, mesmos se suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, suspensão pelo prazo de cento e vinte a trezentos e sessenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural submetida a este Código, além de multa de R$ 100,00 a R$ 100.000,00.

O mais agravante fica registrado no parágrafo terceiro deste artigo que diz o seguinte:

  • 3º Quando a infração for considerada de extrema gravidade, o órgão judicante poderá aplicar as penas nos incisos V, VII e XI do art. 170.

As penas do artigo acima referido são:

  • V – perda de pontos;
  • VII – perda de mando de campo;
  • XI – exclusão de campeonato ou torneio.

Caberá à interpretação subjetiva do tribunal analisar a gravidade das ofensas. Se os auditores entenderem que a atitude foi “gravíssima”, o clube poderá ser excluído de acordo com o parágrafo acima citado, caso não entender, apenas a suspensão do torcedor.

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