Assim como declaramos em outra matéria escrita por nós no dia de hoje a respeito do assunto que aqui iremos abordar, no Brasil a volta gradativa dos torcedores aos estádios também já está sendo estudada, no entanto, os médicos pedem cautela quanto a esse tema.

Após uma longa paralisação por conta do novo Coronavírus, o futebol no Brasil retornou em meio a dúvidas se era o tempo certo para que isso acontecesse, mas enfim, a bola voltou a rolar nos gramados brasileiros e hoje já vive a expectativa da retomada gradual das atividades - entre elas, a volta dos torcedores. Mesmo com profissionais das áreas de saúde e da CBF já estudando a possibilidade de liberar a volta do público a uma partida de futebol, essa realidade ainda encontra-se distante de ocorrer; principalmente por parte das autoridades governamentais.

Tanto os médicos, como também as autoridades governamentais consideram cedo de mais para a reabertura dos portões, que deverão ocorrer somente no mês de novembro; aqui nesta linha, o próprio presidente da CBF - Rogério Caboclo em entrevista ao jornal "Estadão" revelou que não acredita ser o momento certo para uma retomada.

Rogério Caboclo - presidente da CBF - imagem: CBF
Rogério Caboclo - presidente da CBF - imagem: CBF

"Todas as atitudes da CBF com relação à pandemia têm como base a proteção da saúde, tanto dos profissionais do esporte, quanto dos torcedores em geral. A entidade agiu sempre em consonância com as autoridades de saúde, seja na suspensão das competições, se também na retomada obedecendo a um rígido protocolo. A volta do público aos estádios será tratada da mesma forma", declarou ele.

O mesmo jornal aqui citado já apurou que o retorno dos torcedores aos estádios já está em análise nas reuniões de alguns clubes, onde esses avaliam os impactos de uma presença reduzida de torcedores, como algo em torno de 25% da capacidade total, para desta forma garantir os protocolos de saúde - entre esses o distanciamento social.

Obviamente que este retorno interessa exclusivamente aos clubes, que desta forma conseguiriam diminuir um pouco os gigantescos prejuízos que vieram junto com a pandemia; algo que podemos comparar com um estudo realizado pela Ernst & Young no último ano, onde dentre os 20 clubes da elite do futebol nacional, os mesmos faturaram em torno de R$ 952 milhões com receitas em dias de jogos - o que corresponde a 16% do total da receita arrecadada pelas equipes na temporada. Isso sem comentarmos aqui sobre as receitas geradas com os gastos dos torcedores em lanchonetes, vendas de produtos oficiais e com a prestação de serviços - como, por exemplo, estacionamento.

Mesmo com tudo isso em "pauta", a CBF não trabalha neste momento com a volta dos torcedores aos estádios - deforma alguma, uma vez que a entidade organizou um protocolo de saúde para o Brasileirão com a previsão de disputar o mesmo com os portões fechados.

Os especialistas em saúde defendem que quando for analisada a volta dos torcedores aos estádios, que as autoridades tenham um cuidado especial para a criação dos protocolos e regras de prevenção, como a disponibilidade de álcool gel em vários setores dos estádios e arquibancadas, divisão dos torcedores por diversos setores dos estádios e arenas, criação de um esquema especial para o consumo e venda de alimentos, higienização de banheiros e ainda, evitar aglomerações em diversos locais fechados - entre outras medidas.

Para alguns desses especialistas na área da saúde, ainda é preciso ter cautela com a volta dos torcedores aos estádios pelas dimensões de nosso país, não pensando que o futebol brasileiro vive outra realidade, onde cada região vive um momento epidemiológico distinto nos dias de hoje e seria injusto ter torcedores na região sul e na região norte não, por exemplo. Desta forma prega-se a paciência e cautela para esse assunto.